Poder insurgente da multitude
DOI:
https://doi.org/10.51206/Palavras-chave:
multitude; poder insurgente; Constituição; movimentos sociais; democraciaResumo
O artigo investiga como as multitudes atuam como potência insurgente, influenciam e desafiam os limites do poder constituído, especialmente diante da Constituição brasileira de 1988, que restringe o exercício direto da soberania popular. Com base nas teorias de Antonio Negri e outros autores, o texto diferencia povo de multitude, destacando esta última como coletividade sem identidade homogênea, cuja ação insurgente rompe com
as estruturas constitucionais vigentes. A multitude manifesta-se disruptiva
mente, desafiando normas e práticas institucionais por meio de movimentos sociais esporádicos e emotivos, frequentemente impulsionados pelas redes sociais. O artigo enfatiza que a multitude, apesar de sua fragmentação e aparente falta de organização tradicional, possui um poder constituinte peculiar e dinâmico, que força contínuas atualizações e ajustes no sistema político e constitucional, e aponta a necessidade de o poder constituído adaptar-se constantemente para preservar sua legitimidade frente às demandas insurgentes da sociedade contemporânea.
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