Poder insurgente da multitude

Autores

  • Robson Barbosa https://www.unb.br/ Autor

DOI:

https://doi.org/10.51206/

Palavras-chave:

multitude; poder insurgente; Constituição; movimentos sociais; democracia

Resumo

O artigo investiga como as multitudes atuam como potência insurgente, influenciam e desafiam os limites do poder constituído, especialmente diante da Constituição brasileira de 1988, que restringe o exercício direto da soberania popular. Com base nas teorias de Antonio Negri e outros autores, o texto diferencia povo de multitude, destacando esta última como coletividade sem identidade homogênea, cuja ação insurgente rompe com 
as estruturas constitucionais vigentes. A multitude manifesta-se disruptiva
mente, desafiando normas e práticas institucionais por meio de movimentos sociais esporádicos e emotivos, frequentemente impulsionados pelas redes sociais. O artigo enfatiza que a multitude, apesar de sua fragmentação e aparente falta de organização tradicional, possui um poder constituinte peculiar e dinâmico, que força contínuas atualizações e ajustes no sistema político e constitucional, e aponta a necessidade de o poder constituído adaptar-se constantemente para preservar sua legitimidade frente às demandas insurgentes da sociedade contemporânea.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Robson Barbosa, https://www.unb.br/

    Doutor em Direito pela Universidade de Brasília (UnB).

Referências

ACKERMAN, Bruce. We the People 1: foundations. Londres: The Belknap

Press, 1991.

AGAMBEN, Giorgio. Ideia da prosa. Tradução: João Barrento. Lisboa: Cotovia,

1999.

ALONSO, Ângela. A gênese de 2013: formação do campo patriota. Journal of

Democracy em Português, São Paulo, v. 8, n. 1, maio 2019.

ALONSO, Ângela. Repertório, segundo Charles Tilly: História de um

conceito. Sociologia & Antropologia, Rio de Janeiro, v. 02, n. 03, 2012.

BADIOU, Alain. Beyond formalization: An interview. Angelaki: Journal of the

Theoretical Humanities. London, v. 8, n. 2, 2003.

BALIBAR, Étienne. La crainte des masses: politique et philosophie avant et

après Marx. Paris: Galilée, 1997.

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de suas técnicas de reprodução.

In: Os pensadores XLVIII: Textos escolhidos. São Paulo: Editora Abril, 1975.

BENNETT, W. Lance; SEGERBERG, Alexandra. The logic of connective

action: Digital media and the personalization of contentious politics.

Information, Communication & Society. London, v. 15, n. 5, 2012.

CABANAC, Michel. What is emotion. Behavioural Processes, Amsterdam, 60,

69-83, 2002.

CARVALHO NETTO, Menelick. A sanção no procedimento legislativo. Belo

Horizonte: Del Rey, 1992.

CHAKRABARTY, Dipesh. La historia subalterna como pensamiento político.

In: MEZZADRA, Sandro et al. Estudios postcoloniales: ensayos fundamentales.

Madri: Traficantes de Sueños, 2008.

CHAKRABARTY, Dipesh. Provincializing Europe: postcolonial thought and

historical difference. Princeton: Princeton University Press, 2000.

CUNHA, Paulo Ferreira da. Constituição, direito e utopia: do jurídico

constitucional nas utopias políticas. Coimbra: Coimbra Editora, 1996.

DAMASIO, Antonio R. Descartes’ error: emotion, reason, and the human

brain. New York: Avon Books, 1994.

FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e Análise do eu e outros textos. São

Paulo: Companhia das Letras, 2011. GASSET, José Ortega y. La rebellion de las masas. ePUB v. 1.1. Lectulandia,

2011.

GUIMARÃES, Ulysses. Discurso proferido na sessão de 5 de outubro de

1988. Brasília: Câmara dos Deputados, 1988. Disponível em:

www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/plenario/discursos/

escrevendohistoria/25-anos-da-constituicao-de-1988/constituinte-1987-1988/

pdf/Ulysses%20Guimaraes%20-%20DISCURSO%20%20REVISADO.pdf>.

Acesso em: 18 nov. 2025.

HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Bem-estar comum. Tradução: Clóvis

Marques. 1. ed., Rio de Janeiro: Record, 2016.

HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Império. Tradução: Berilo Vargas. 2. ed.,

Rio de Janeiro: Record, 2001.

HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Parte I. Tradução: Marcia Schuback. 15. ed.

Petrópolis: Vozes, 2005.

JASPER, James M. Cultural approaches in the sociology of social

movements. In: KLANDERMANS, Bert; ROGGEBAND, Conny. Handbook of

social movements across disciplines. Texas: Springer, 2007.

JESUS, Jaqueline Gomes de. Psicologia das massas: contexto e desafios

brasileiros. Psicologia & Sociedade, Recife, 25(3), 493-503, 2013.

LE BON, Gustave. Psychologie des foules. Paris: Les Presses Universitaires,

1985. E-Book.

MCADAM, Doug; MCCARTHY, John D.; ZALD, Mayer N. (org.). Comparative

perspectives on social movements: political opportunities, mobilizing

structures, and cultural framings. New York: Cambridge University Press,

1996.

MCADAM, Doug; TARROW, Sidney; TILLY, Charles. Para mapear o confronto

político. Tradução: Ana Maria Sallum. Lua Nova, São Paulo, 76: 11-48, 2009.

MEAD, George Herbert. The individual and the social self: unpublished work of

George Herbert Mead. Ed. David L. Miller. Chicago: Chicago Press, 1982.

MELUCCI, Alberto. Nomads of the present: social movements and individual

needs in contemporary society. London: Hutchinson Radius, 1989.

MENDONÇA, Ricardo Fabrino. Singularidade e identidade nas

manifestações de 2013. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, n.

66, p. 130-159, abr./2017. MICHELS, Robert. Sociologia dos partidos políticos. Tradução: Arthur

Chaudon. Brasília: Ed. UnB, 1982.

MOSCA, Gaetano. Elementi di scienza politica. 2. ed., Milano: Fratelli Bocca,

1923. E-book.

NEGRI, Antonio. A anomalia selvagem: poder e potência em Spinoza. Tradução:

Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.

NEGRI, Antonio. Insurgencies: constituent power and the modern state.

Tradução: Maurizia Boscagli. Minneapolis; London: University of Minnesota

Press, 1999.

PARETO, Vilfredo. Manuel d’economie politique. Tradução: Alfred Bonnet.

Paris: V. Giard & E. Brière, 1909.

SADOCK, Benjamin J.; SADOCK, Virginia A.; RUIZ, Pedro. Compêndio de

psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. Tradução: Marcelo

de Abreu Almeida et al. 11. ed., Porto Alegre: Artmed, 2017.

SPINOZA, Baruch de. Tratado teológico-político. Tradução: Diogo Pires

Aurélio. 3. ed., Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2004.

TILLY, Charles. Regimes and repertoires. Chicago: Chicago Press, 2006.

TORRES, E. C. O protagonismo midiático da multidão nos movimentos

sociais. Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre, v. 42, n. 3, p. 1219-1245, 24

nov. 2016.

VIRNO, Paolo. A grammar of the multitude: for an analysis of contemporary

forms of life. Tradução: Isabella Bertoletti. New York: Columbia University,

2004.

VIRNO, Paolo; HARDT, Michael (org.). Radical thought in Italy: a potential

politics. Minneapolis: Minnesota Press, 1996.

VLIEGENTHART, Rens; WALGRAVE, Stefaan. The interdependency of mass

media and social movements. In: SEMETKO, Holli A.; SCAMMELL, Margret.

The sage handbook of political communication. Los Angeles: Sage, 2012.

ZIZEK, Slavoj. The parallax view. Cambridge; London: The MIT Press, 2006

Publicado

03/04/2026

Edição

Seção

Artigos